Publicada em 1898, Die Schönheit des weiblichen Körpers insere-se no momento histórico em que medicina, antropologia e arte se entrelaçavam na tentativa de definir padrões universais de beleza corporal. Carl Heinrich Stratz, médico alemão, apresenta o corpo feminino como objeto de observação científica, modelo pedagógico e referência estética, sob a convicção de que tais categorias poderiam ser medidas, classificadas e ensinadas.
A nudez aqui não se organiza como erotismo, mas como linguagem normativa. O corpo é apresentado como tipo, não como indivíduo. Cada imagem participa de um esforço maior de sistematização visual do que se entendia, à época, como proporção, saúde e harmonia naturais.
Reunidas neste espaço, as pranchas funcionam como documento histórico. Elas revelam tanto a técnica ilustrativa e o rigor formal do final do século XIX quanto os limites ideológicos de um olhar que confundia ciência, estética e universalidade cultural.